Trabalho há muitos anos assessorando empresários e gestores que enfrentam desafios dentro de suas organizações. Nos últimos tempos, uma pauta que passou a ocupar espaço central nas rodas de conversa – e nas agendas das empresas – é a dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Não por acaso: com as mudanças recentes da NR-1, a partir de 2026, ficou ainda mais claro que cuidar da saúde mental virou exigência legal, além de ser um sinal de respeito pelo colaborador.
O que são riscos psicossociais e por que as empresas devem se preocupar?
Riscos psicossociais envolvem situações que podem causar danos emocionais, sociais e mentais aos trabalhadores. Excesso de pressão, ambientes hostis, falta de clareza nas funções, assédio moral ou mesmo a instabilidade em relações interpessoais estão entre os principais fatores. Já acompanhei casos em que um simples boato interno foi suficiente para gerar ansiedade coletiva, aumentando afastamentos e reduzindo os resultados da equipe.
Ao contrário do que alguns pensam, riscos psicossociais não se limitam à saúde mental: eles afetam o desempenho, a confiança e a segurança jurídica da empresa.
NR-1: atualização e o que muda em 2026
A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) sempre tratou das diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho. Porém, com as mudanças estabelecidas para 2026, houve um avanço importante: os riscos psicossociais passaram a ser obrigatoriamente considerados na avaliação de riscos ocupacionais.
Avaliar riscos psicossociais não é mais escolha. Agora, é obrigação.
Durante minhas consultorias, percebo que muitas empresas ainda associam a NR-1 apenas à prevenção de acidentes físicos. O que mudou? Agora, o reconhecimento dos fatores psicossociais ganhou status normativo. O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deve conter protocolos para mapear, monitorar e controlar esses riscos, com atenção a relatórios e indicadores psicossociais, entrevistas, questionários e acompanhamento médico periódico.
Responsabilidades dos empregadores
Com as novas regras da NR-1, passa a ser uma atribuição clara do empregador não só identificar, mas também implementar estratégias para a redução e o controle dos riscos psicossociais. Veja alguns deveres concretos que observei serem cobrados pela fiscalização:
- Realizar análise detalhada do ambiente organizacional, identificando fatores de risco psicossocial.
- Incluir avaliações psicossociais nos exames periódicos dos colaboradores.
- Capacitar lideranças para identificar sinais de sofrimento mental e saber agir adequadamente.
- Garantir meios acessíveis de denúncia e acompanhamento para casos de assédio ou sobrecarga.
- Manter registros e evidências de todas as ações preventivas adotadas.
Essas medidas não são apenas orientações soltas: constituem deveres passíveis de autuação e multas administrativas caso sejam negligenciadas.

Impactos dos riscos psicossociais na saúde mental dos trabalhadores
Testemunhei casos nos quais o desconhecimento ou a negação desses riscos resultaram em doenças ocupacionais graves, afastamentos prolongados e até processos trabalhistas onerosos. Não é incomum que quadros de depressão, síndrome de burnout e ansiedade tenham origem nas más condições psicossociais.
Os reflexos para a empresa nem sempre são imediatos, mas são profundos: aumento de rotatividade, queda no engajamento, conflitos e prejuízos à imagem institucional. No blog Victor Hugo Abreu, sempre busco trazer reflexões práticas e exemplos que demonstrem como a integração entre as áreas contábil, jurídica e de gestão é fundamental para antecipar e responder a esse tipo de desafio.

Estratégias para adaptação às novas regras da NR-1
A legislação é clara: ter apenas boas intenções já não basta. Compartilho algumas recomendações efetivas que aplico com meus clientes para garantir conformidade e preservar a saúde mental dos trabalhadores:
- Mapeamento detalhado dos riscos: Inclua questões psicossociais no Levantamento Preliminar de Perigos (LPP) e nas ferramentas de diagnóstico dos riscos ocupacionais.
- Capacitação de lideranças: Realize treinamentos periódicos a fim de alinhar gestores e supervisores quanto a sinais, indícios e boas práticas de abordagem.
- Canais de comunicação seguros: Implemente caixas de sugestões anônimas, atendimento psicológico ou canais internos de denúncia, sempre assegurando a confidencialidade.
- Promoção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional: Ajustes em jornadas, ciclos de feedback positivos e respeito a limites são atitudes que fazem diferença na percepção dos colaboradores.
- Monitoramento constante: Utilize pesquisas de clima, indicadores de absenteísmo e informações dos exames periódicos para ajustar as estratégias conforme necessário.
Costumo dizer que o grande diferencial está em adotar uma postura de escuta ativa, valorizando a participação do trabalhador no processo. Empresas que investem em ambientes saudáveis evitam multas, reduzem custos e atraem talentos com mais facilidade.
Exemplos práticos na implementação das novas exigências
Já atuei acompanhando implantações em empresas de médio porte, onde o principal desafio era o medo dos líderes em “abrir espaço” para conversas sobre saúde mental. Em uma delas, sugeri uma sequência de ações práticas:
- Aplicação de questionários de riscos psicossociais, adaptados pelo setor de recursos humanos.
- Realização de dinâmicas coletivas, onde colaboradores pudessem relatar, de maneira anônima, situações desconfortáveis ou de pressão.
- Análise dos dados e criação de um plano de ação, com metas de curto e médio prazo, auditadas pelo jurídico e o setor contábil.
- Revisão periódica dessas medidas, com base em novos episódios ou feedbacks recebidos.
Notei uma transformação significativa no ambiente em poucos meses. Houve queda de absenteísmo, aumento do sentimento de pertencimento e até melhora em indicadores financeiros.
Recomendações para gestores e empresários
Minha sugestão, como sempre abordo no blog Victor Hugo Abreu, é que líderes e responsáveis das empresas adotem medidas que vão além do legalismo estrito. A gestão integrada entre jurídico, contábil e RH é a melhor forma de garantir medidas assertivas e personalizadas.
- Mantenha contato constante com profissionais especializados em direito do trabalho e saúde corporativa.
- Incorpore ferramentas digitais e analógicas de mapeamento de clima e satisfação, adaptadas ao perfil do seu time.
- Evite soluções genéricas: cada empresa tem sua cultura, e isso é levado em conta na avaliação dos riscos psicossociais.
- Registre e arquive todas as iniciativas adotadas, pois essas informações são fundamentais para auditorias ou fiscalizações.
Cuidar da saúde psicossocial vai além do cumprimento da lei; trata-se de estratégia inteligente e sustentável para empresas de todos os portes.
Conclusão
As novas regras da NR-1 em 2026 colocam a avaliação dos riscos psicossociais como uma prioridade para as empresas brasileiras. Ignorar esses fatores significa não só descumprir a legislação, mas também colocar em risco a saúde, a estabilidade e o futuro do negócio. Compartilhei recomendações baseadas em minha atuação diária porque acredito que a prevenção é sempre melhor – e mais barata – que qualquer remediação.
Se você quer se aprofundar no tema ou precisa de orientação personalizada para seu caso específico, conheça melhor o blog Victor Hugo Abreu e entre em contato para transformar desafios jurídicos e contábeis em oportunidades para a sua empresa.
Perguntas frequentes sobre riscos psicossociais e NR-1
O que são riscos psicossociais no trabalho?
Riscos psicossociais são fatores relacionados ao ambiente, à organização do trabalho e às relações interpessoais que podem causar danos à saúde mental, emocional e social dos trabalhadores. Exemplo disso são ambientes com excesso de pressão, pouca comunicação, assédio ou incertezas constantes.
Como a NR-1 mudou em 2026?
A partir de 2026, a NR-1 passou a exigir, de forma obrigatória, que os riscos psicossociais sejam avaliados, registrados e gerenciados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de todas as organizações. A atualização trouxe protocolos específicos para análise e monitoramento desses riscos, além de responsabilidades claras para empregadores.
Quais empresas precisam seguir as novas regras?
Todas as empresas, independentemente de porte ou segmento, que possuam funcionários sob regime CLT devem seguir as novas regras da NR-1. A obrigatoriedade vale para qualquer ambiente de trabalho no território nacional.
Como identificar riscos psicossociais na empresa?
É necessário realizar avaliações periódicas, aplicando questionários, promovendo entrevistas individuais e coletivas, analisando indicadores de clima organizacional e informações de saúde ocupacional. O suporte de profissionais em psicologia do trabalho e medicina ocupacional pode otimizar esse processo.
Quem é responsável pelo controle dos riscos?
A responsabilidade pelo controle dos riscos psicossociais é do empregador, que deve implementar protocolos, garantir capacitação e acompanhar os resultados das medidas preventivas. Gestores e líderes têm papel fundamental no acompanhamento diário e na promoção de ambientes de trabalho saudáveis.